
Sentado na cama ainda desarrumada, olhava pela janela o mundo que o esperava dentro de instantes. Justamente por isso, tentou se manter indiferente daquele. Fez de seu pensamento o próprio mundo. Manteve-se isolado daquela confusão e de todos aqueles sons. Pela janela observou o parque municipal. Uma velhinha caminhava tranquilamente. Uma criança chorava ao cair de seu brinquedo. Seu café esfriava enquanto ele voava. Naquele momento, nada disso era importante. Apenas a solidão lhe confortara. O vento matinal que entrava pela janela o tocou como uma ameaça. Anunciava uma forte tempestade, embora o céu lá fora ainda estivesse claro. Porém, naquele momento, apenas queria apreciar aquele mundo pacífico que tinha por uma janela.
O horizonte, visto por aquela janela, era um prédio há alguns quilômetros dali, além do parque. Cinza, rude. Criando um contraste com o verde e a alegria do local.
Levantou-se da cama e fechou a janela. Viu que o mundo por uma janela era muito bonito, porém, limitado. Por uma janela ele via apenas uma criança chorando. Fora desse mundo, havia milhares de outras crianças sorrindo sonhando com seu futuro longínquo. “Pobres crianças, ainda não sabem como é triste o mundo por uma janela.”
Terminou de se aprontar e saiu. Preferiu o mundo por sua janela.
Nenhum comentário:
Postar um comentário